quinta-feira, 22 de maio de 2014

O que são as Incretinas



      O arsenal para o controle do diabetes tipo 2 ganhou recentemente reforços de peso. São os medicamentos que atuam sobre as incretinas, uma família de hormônios produzida pelo intestino, capaz de potencializar a secreção da insulina. Com cerca de 180 milhões de doentes em todo o mundo, 10 milhões deles no Brasil, o diabetes se caracteriza por uma deficiência na produção ou na ação do hormônio insulina, o que leva a um aumento exagerado da glicemia. As incretinas ajudam a baixar as taxas de glicose no sangue, sobretudo depois das refeições, quando esses níveis tendem a aumentar. "O uso das incretinas abre uma frente ainda inexplorada e com perspectivas excelentes para o tratamento da doença", diz o endocrinologista Marcos Antonio Tambascia, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. A grande vantagem dos novos tratamentos é promover a secreção de insulina, de forma muito parecida à natural, em sintonia com a demanda do organismo. Os antidiabéticos tradicionais não têm esse "termômetro". Eles estimulam a produção de insulina mesmo quando a glicemia está normal. Além de exaurirem as células produtoras do hormônio, aumentam o risco de hipoglicemia. Dentre os novos medicamentos destaca-se a sitagliptina, que é vendida sob o nome comercial de Januvia.
      Uma das mais arrojadas linhas de pesquisa em torno das incretinas é a que lança mão da cirurgia bariátrica. Em 2004 o cirurgião italiano Francesco Rubino percebeu que a cirurgia para a redução do estômago de diabéticos obesos resultava não apenas na perda de peso, mas também no aumento da produção de incretinas. Com um estômago menor, a comida chega mais rápido ao intestino, o que estimula a produção de incretinas. A técnica, com algumas alterações, é testada agora em diabéticos não obesos. Do grupo de seis pacientes submetidos experimentalmente ao procedimento na Universidade Estadual de Campinas, cinco já se livraram das injeções de insulina. Apesar de o método ser promissor, ainda é cedo para decretar sua validade terapêutica.
      A aposta da medicina nas incretinas é enorme. Supõe-se que, além de potencializarem a produção de insulina, elas aumentem a sensação de saciedade e, com isso, promovam a perda de peso. Manter-se no peso ideal é imprescindível para o controle da doença, porque o excesso de células adiposas aumenta a resistência do organismo à insulina. Há fortes indícios, ainda, de que as incretinas também promovam a regeneração das células produtoras de insulina. Conforme o diabetes avança, essas células são progressivamente destruídas. "A expectativa é que esses novos remédios possam diminuir o ritmo de progressão da doença ou mesmo evitar que ela se instale em pacientes pré-diabéticos", diz o endocrinologista Freddy Eliaschewitz, de São Paulo.

Fonte:Veja on-line

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Diabetes e Doença Renal Crônica



A crescente prevalência do diabetes no Brasil e no mundo, frequentemente associado à Hipertensão Arterial, à Doença Cardiovascular e ao envelhecimento populacional tem tornado mais frequente também a ocorrência de Doença Renal Crônica.
A Doença Renal Crônica associada ao diabetes se instala de maneira gradativa, assintomática, evoluindo com perda de função renal e a necessidade de tratamento com diálise ou transplante, limitando a qualidade de vida e aumentando o risco de morte prematura.

Mesmo na fase assintomática da Doença Renal Crônica em que a pessoa está aparentemente saudável, é maior o risco de morte prematura de causa cardiovascular, independente do grau de comprometimento renal.
Veja a seguir dúvidas frequentes respondidas pelo Dr. João Roberto de Sá, coordenador do Departamento de Nefrologia da SBD.
Como o diabetes ataca os rins?
O diabetes mellitus ou diabete melito é uma doença crônica caraterizada por graus variáveis de resistência e deficiência insulínica. Sua ocorrência está aumentado na maioria dos países e infelizmente a grande parte dos pacientes não apresentam um bom controle. Um dos motivos é que além do uso dos medicamentos, existe a necessidade da mudança de hábitos de vida, como fazer uma dieta saudável, realizar exercícios físicos regularmente, não fumar, entre outros.
A nefropatia diabética resulta da longa exposição à glicemia elevada, associada ao mau controle da pressão arterial, dos níveis do colesterol, do hábito de fumar e também de fatores genéticos.
Quais as chances de uma pessoa com diabetes desenvolver doença renal?
A chance de um portador de diabete melito ter algum grau de nefropatia diabética é ao redor de 30%. A nefropatia é classificada em estágios, sendo que o 1 é o mais brando e o estágio 5 o mais avançado, que leva o paciente a necessitar de terapia renal substitutiva (dialise ou transplante renal).
Quais são os sinais iniciais de doença renal em pessoas com diabetes?
Todo paciente diabético deve realizar um teste, ao menos anual, para checar a ocorrência de perda de albumina na urina. Esta anormalidade é conhecida como microalbuminúria e ocorre em geral anos antes do aumento da pressão arterial ou da perda da função renal, que é estimada pelo ritmo de filtração glomerular, que utiliza a dosagem de creatinina no plasma como um dos parâmetros.
Quais são os sinais tardios de doença renal em pessoas com diabetes?
Os sinais tardios são o aumento da pressão arterial, dos níveis de creatinina e da ureia, que é uma substância que deve ser eliminada pelos rins; anemia, perda de apetite; náusea e a ocorrência de acidose metabólica. Uma pessoa com doença renal crônica avançada , em geral apresenta redução do apetite e se o tratamento medicamentoso não for adequado, a chance de ocorrer hipoglicemia aumenta bastante.

O que pode ser feito para se prevenir a lesão do rim pelas pessoas com diabetes?
A prevenção da nefropatia diabética está centrada no bom controle glicêmico, principalmente nos primeiros 10 anos após o diagnóstico do DM, no controle da pressão arterial, na dieta sem excesso de proteína, na parada do hábito de fumar e no controle dos níveis das gorduras do sangue. É importante também que o paciente seja orientado a não utilizar, sem acompanhamento médico, remédios que potencialmente possam lesar o rim. Outro ponto importante é que sejam realizados exames rotineiros para checar a presença de proteína na urina ou se o ritmo de filtração glomerular esta em declínio ou não.
O que é e como se trata a insuficiência renal terminal em pacientes com diabetes?
Esta fase é caraterizada por aumento dos níveis de creatinina e uréia no sangue e por sinais e sintomas como falta de apetite, fraqueza geral, náuseas, anemia, inchaço no corpo devido à retenção de água no organismo, aumento da pressão arterial, do potássio e acidose metabólica, ou seja, o rim é incapaz de controlar a concentração de vários sais vitais para o corpo, do volume de líquido e de excretar substâncias tóxicas ao nosso organismo. Nesta fase, faz-se necessária a utilização da terapia renal substitutiva, ou seja, a diálise.
Pode um paciente com diabetes receber um transplante renal?
O transplante renal é uma terapia eficaz, que leva a aumento importante da qualidade de vida e da sobrevida do paciente. Sempre que possível, um paciente diabético prestes a iniciar a diálise ou já em tratamento dialítico, com condições de realizar a cirurgia deverá fazê-la, principalmente se o mesmo tiver um doador renal relacionado, ou seja, um parente doador.
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A relação entre o Diabetes e a Depressão





Graça Maria de Carvalho Camara 
Psicóloga Especialista em Educação em Saúde, Consultora e Coordenadora do Projeto Educando Educadores da Associação de Diabetes Juvenil – ADJ e Sociedade Brasileira de Diabetes- SBD
Você já se perguntou qual é a ligação entre diabetes e depressão? Será que o diabetes pode levar à depressão ou será a depressão uma causa do diabetes?
Muitas pesquisas vêm sendo acompanhadas no sentido de buscar respostas a estas questões, mas eu diria que cabem, antes de tudo, algumas reflexões no sentido da compreensão dos mecanismos que podem desencadear cada uma das doenças em cada pessoa em sua peculiaridade.
As pessoas possuem características próprias tanto na sua formação orgânica e física, como nas condições sócios culturais que determinam seus hábitos, valores e planos de vida.
Quando uma pessoa é diagnosticada com diabetes, pode focar sua percepção nos fatores limitantes de seus hábitos e rotinas de vida: “não posso mais comer açúcar”, “adeus à cervejinha com os amigos”, “como vou poder ir às baladas sem horário pra chegar em casa e tudo o mais”. Pode pensar nos possíveis agravos, por já ter ouvido falar de pessoas que tiveram complicações sérias e, com isso, alguns se revoltam, ou entristecem e o caminho para depressão fica aberto, ou seja, “o terreno fica fértil”.

Entretanto, passado esse período de negação e, com atendimento adequado por parte da equipe e/ou programa educativo, uma nova etapa, a de aceitação pode surgir. Esse novo estágio permite que a pessoa continue seu percurso normal de vida, com fases mais fáceis de lidar com as mudanças e aquisição de novos hábitos, além das adaptações gerais.
Para aliviar este impacto, a abordagem do médico e equipe multiprofissional e o apoio de associações de pessoas com diabetes, que têm programas educativos e grupos de apoio e troca de experiências, são essenciais. Assim, havendo a conscientização e compreensão da importância de realizar o tratamento adequado, a incorporação de hábitos saudáveis, novos comportamentos podem ser adotados e a tristeza e falta de estímulo tendem a melhorar. Não havendo melhora é importante procurar pela equipe profissional para acompanhamento especializado. Se a pessoa realmente tiver desencadeado um quadro de depressão, será necessário um tratamento específico para que essa condição seja devidamente tratada.
Por isso, precisamos distinguir a depressão como uma resposta normal dentro da fase de negação de uma condição crônica, que pode durar determinados períodos. Para isso, é necessário detectar a depressão crônica como um estado prolongado de desânimo caracterizado por vários sintomas afetivos e somáticos. A American Diabetes Association publica uma orientação geral sobre o problema da depressão em pessoas com diabetes, que pode ajudar na identificação dos sintomas de depressão e alertar familiares e profissionais de saúde que estejam em contato com estes pacientes, na qual ressalta os seguintes pontos:
• Sentir-se triste de vez em quando é normal. Mas, algumas pessoas sentem tristeza, aparentemente sem causa, que simplesmente não desaparece. Sentindo-se assim na maior parte do dia, durante duas semanas ou mais, pode ser um sinal importante de depressão.
• Estudos clínicos demonstram que pessoas com diabetes têm um risco maior de depressão, embora não haja explicações fáceis para esse fato.
• Quando o paciente não consegue obter o controle glicêmico, ou quando enfrenta as complicações do diabetes, ele "se convence" de que perdeu o controle sobre a doença.
• A depressão pode promover um ciclo vicioso, prejudicando o controle da doença e dificultando a realização de tarefas necessárias para atingir o bom controle glicêmico.
• Por sua vez, a falta de controle glicêmico pode levar a sintomas que simulam a depressão. Níveis muito altos ou muito baixos de glicemia podem promover a sensação de cansaço e ansiedade.
• Sempre que possível, uma orientação de profissional especializado em saúde mental e com experiência em diabetes pode ajudar bastante. O tratamento com antidepressivos pode ser necessário e, para tal, um profissional médico deve ser consultado.

Na presença de sintomas de depressão, não se deve esperar muito para buscar ajuda. Procure informar-se mais sobre a doença e procure serviços multidisciplinares de atenção ao portador de diabetes.
diagnóstico precoce da depressão pode acelerar seu tratamento. Portanto, esteja atento aos sinais mais comumente encontrados já nas fases iniciais do processo depressivo:
• Perda da sensação de prazer em fazer coisas que você costumava gostar.
• Tristeza sem causa aparente, principalmente pela manhã.
• Alteração nos hábitos de sono. Despertar precoce e dificuldade em voltar a dormir.
• Alterações importantes no apetite, para mais ou para menos.
• Dificuldade de concentração.
• Sensação de cansaço e perda de energia.
• Ansiedade, nervosismo ou sentimento de culpa.
• Pensamentos suicidas ou de auto-agressão.

A presença de três ou mais desses sintomas, ou de apenas um deles, associados a uma sensação de tristeza por duas semanas ou mais, indica a necessidade do paciente e/ou familiar responsável, aceitar que esteja em estado depressivo e, buscar ajuda de profissionais especializados e competentes para sua assistência.
Um exemplo claro de sucesso de um caso de pessoa com depressão e dificuldade de controle do diabetes:
Mariana (nome fictício) foi atendida em serviço público com uma glicemia média semanal de 476 mg/dL e uma variabilidade glicêmica, medida através do desvio padrão, de 60 mg/dL. Mulher sofrida, com sérios problemas familiares que incluíam alcoolismo e violência doméstica, manifestou claramente sua conformidade com o fato de nunca ter controlado seu diabetes, alegando que as consequências desse fato eram irrelevantes diante dos problemas que enfrentava.

Os esforços educacionais da equipe multidisciplinar conseguiram estimulá-la a, pelo menos, tentar seguir as novas orientações para tentar obter o necessário controle glicêmico que, por sua vez, iria contribuir para a melhoria de seu depressivo estado emocional. Ela aderiu totalmente ao tratamento e às orientações educacionais recebidas e, depois de apenas três semanas, conseguiu atingir, um bom controle do diabetes, reduzindo a glicemia média semanal para 99 mg/dL e a variabilidade glicêmica para 34 mg/dL.
A equipe discutia com Mariana regularmente seus resultados e melhora do controle do diabetes e esta foi mudando seus comportamentos a cada visita:
Pela primeira vez, mostrou um sorriso de satisfação pela conquista, cortou os cabelos para um visual mais moderno e passou a investir numa aparência mais jovial e mais saudável. Antes do tratamento, era uma pessoa quieta, de poucas palavras, após este período, passou a se relacionar muito melhor com a equipe e com seus companheiros de ambulatório; abandonou o pessimismo crônico e começou a manifestar esperanças de uma vida melhor.
Mariana passou a ser outra pessoa durante todo o período de acompanhamento de várias semanas.
Claro que seus problemas não desapareceram por milagre, mas a alegria da conquista mudou para muito melhor suas perspectivas de vida.
Concluindo, para o tratamento e acompanhamento adequado do paciente com diabetes, seja para evitar a instalação da depressão e/ou identificação e seu tratamento adequado, a atenção e acompanhamento da equipe profissional responsável e, o estímulo ao autocontrole e autocuidado são essenciais.

A Educação em Diabetes com acompanhamento por equipe multiprofissional é a forma mais eficaz para a garantia da qualidade de vida de seus portadores.
Referências:

1-DEPRESSÃO NA PESSOA DIABÉTICA: DESVELANDO O INIMIGO OCULTO
MARTA PEREIRA COELHO
Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado da Escola de Enfermagem da
Universidade Federal de Minas Gerais.

2 -Diabetes e Depressão: As Importantes Correlações entre Estado Emocional e

Controle Glicêmico
Dr. Augusto Pimazoni Netto

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Tipos de insulinas

Conheça agora quais são as insulinas existentes no mercado e quais as diferenças entre elas

      Insulina é o hormônio responsável pela redução da glicemia (taxa de glicose no sangue), ao promover a entrada de glicose nas células. Ela também é essencial no metabolismo de carboidratos, na síntese de proteínas e no armazenamento de lipídios (gorduras).
      Quando o pâncreas, órgão que produz a insulina, deixa de produzi-la em quantidades ideais, é necessária a introdução da insulina no tratamento do diabetes.
      Existem vários tipos de insulina, com diferentes início de ação, período de concentração máxima (pico de ação) e duração do efeito. A seleção da insulina mais apropriada ou combinação de diversos tipos para certo paciente dependem da resposta individual ao tratamento, das condições do diabetes e dos hábitos deste paciente.
      Abaixo, estão descritos os principais tipos de insulina e suas características:



Insulina Basal:
• Insulina que cobre as necessidades do organismo entre as refeições e durante a noite, ou seja, ao longo do dia. É uma insulina de ação lenta ou intermediária. Pode ser a NPH, a Detemir ou a Glargina.
Insulina para Bolus:
• São insulinas que possuem ação mais rápida, por isso destinam-se a evitar hiperglicemia pós-prandial, relacionada à refeição. São aplicadas antes das refeições. Pode ser a Regular, Lispro, Glulisina ou Aspart.
Insulinas Bifásicas (insulina lenta + insulina rápida):
As insulinas bifásicas contêm dois tipos de insulina, de modo a proporcionar picos e tempos de duração diferentes.

O tratamento intensivo do diabetes tipo 1, que significa o uso de 3 ou mais doses de insulina ao dia, dividido em insulina basal e bolus nas refeições, é a forma de se alcançar o bom controle glicêmico (glicohemoglobina < 7%).
No diabetes tipo 1, como não há mais produção de insulina pelo pâncreas, o objetivo do tratamento é “imitar” o funcionamento do pâncreas de quem não tem diabetes, que funciona assim:
• Produção de insulina durante todo o dia, independentemente das refeições: é a INSULINA BASAL (então “imitamos” com o uso de insulinas de ação lenta);
• Liberação de insulina pelo pâncreas, de acordo com as refeições: são os BOLUS ALIMENTARES (repomos esta insulina com as insulinas rápidas, aplicadas antes das refeições).
O diabético tipo 2 também pode chegar a necessitar de insulina, pois se o seu pâncreas não estiver mais produzindo insulina em quantidade suficiente ou não consegue usar efetivamente o hormônio que produz, o médico avaliará a necessidade de acrescentar insulina ao tratamento. 
Acompanhe agora o gráfico com os perfis de ação das diferentes insulinas:


Converse com seu médico endocrinologista sobre qual o tratamento mais adequado para o seu caso.

Fonte: site Banco de saúde



quinta-feira, 3 de abril de 2014

Comunicado importante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Sociedade Brasileira de Diabetes


A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) vêm por meio deste comunicado conjunto contrapor informações veiculadas na edição do Jornal Nacional de 28/03/2014 sobre a ocorrência de efeitos adversos de medicações anti-diabéticas.
O texto da matéria, ressalta, entre outras infomações:

“Para o coordenador do núcleo de estudos da Vigilância Sanitária, a situação é grave. ‘A gente tem percebido, principalmente, a ocorrência de pancreatite, alguns casos de câncer pancreático e também reações adversas na tireoide, como neoplasia de tireoide’, revela Adalton Guimarães Ribeiro, diretor do núcleo de estudos da Vigilância Sanitária de São Paulo. Na mira da Vigilância Sanitária, uma lista de dez medicamentos, com sete princípios ativos: liraglutida, exenatida, linagliptina, metformina, saxagliptina, sitagliptina e vildagliptina.”

Este texto contém incorreções importantes, tais como:

1. É absolutamente incorreta a inclusão da metformina nessa lista; este fármaco é utilizado no tratamento do diabetes há várias décadas, está consagrado, e faz parte de simplesmente todos os consensos científicos nacionais e internacionais sobre o tratamento do diabetes como medida inicial de conduta. Ela definitivamente não está associada a qualquer dos efeitos colaterais mencionados na matéria.

2. As demais drogas citadas estão sendo alvo de ampla discussão pelas sociedades científicas, no mundo todo, já há alguns anos, a respeito de seu potencial de causar doenças no pâncreas e na tireóide. As evidências até o momento, que estão consolidadas em documentos de consenso das duas maiores entidades científicas internacionais da área de diabetes, e endossadas pelas entidades científicas brasileiras, apontam para a ausência de relação causal entre esses tratamentos e aquelas doenças. O assunto, porém, ainda está em aberto na comunidade médica científica internacional.

3. O alerta diz respeito ao fato de que alguns destes princípios ativos, especificamente os de uso injetável, realmente estão liberados pela ANVISA para venda livre, sem prescrição. A SBD e a SBEM posicionam-se contrariamente a esta regulamentação, sendo da opinião de que deveria haver maior controle sobre a prescrição e dispensação destes remédios injetáveis.
Nina Musolino (Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e Walter Minicucci (Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes)


quinta-feira, 27 de março de 2014

Contagem de carboidrato 

O que é, e para que serve?



       A Contagem de Carboidratos é uma terapia nutricional, onde contabilizamos os gramas de carboidratos consumidos nas refeições e lanches, com o objetivo de manter a glicemia dentro de limites convenientes. A razão pela qual contamos gramas de carboidratos é porque os carboidratos tendem a ter maior efeito na sua glicemia.

Quando você entende como contar carboidratos, você tem uma maior variedade na escolha dos alimentos que compõem o seu plano alimentar. E também, pode controlar sua glicemia mais precisamente.
 A Contagem de Carboidratos pode ser utilizada por qualquer pessoa com diabetes. Também é muito útil para aquelas pessoas que utilizam como forma de tratamento a terapia com múltiplas doses de insulina ou sistema de infusão contínua de insulina, onde esta poderá ser ajustada, baseada no que a cada pessoa consome de alimentos.
Falamos de todos os grupos alimentares e descobrimos os principais nutrientes: carboidratos, proteínas e gorduras.
O carboidrato é o nutriente que mais rapidamente e em maior quantidade (100%) se converte em glicose. Então, se descobrirmos quais alimentos possuem carboidratos e a quantidade que cada um contém, poderemos ajustar nossa glicemia.

Onde encontramos os carboidratos:
Pães, biscoitos, cereais, farinhas, batata, mandioca, massas, arroz, grãos, leguminosas, frutas, leites, iogurtes, mel, açúcar e doces em gerais.
Estes carboidratos podem estar junto de proteínas e gorduras, como em pizzas, sorvetes ou chocolates.

Posso comer todos os alimentos que contenham açúcar se contar os gramas de carboidratos?
Essa é a ideia, para que possamos ter mais liberdade no planejamento alimentar. Só não podemos esquecer de todo o equilíbrio da alimentação e que nesse método, os doces e chocolates continuam a ficar no topo da pirâmide.

Aprendendo a contar os carboidratos:
Para descobrir quanto cada alimento contém de carboidratos, podemos utilizar a informação nutricional dos rótulos ou tabelas de composição dos alimentos.
E, para calcular, vamos verificar quanto de cada alimento estamos consumindo em uma refeição e levantar, através dessas fontes, quanto de carboidrato cada um deles possui.

Exemplo:
1 Pão francês de 50 g possui 30 g de carboidrato

Margarina - 2 pontas de faca 5 g possui zero de carboidrato

Leite integral - 200 ml possui 12 g de carboidrato

Achocolatado diet -1 colher de sopa 10 g possui 10 g de carboidrato

Mamão papaia - meia unidade 115 g possui 15 g de carboidrato

Total: 67 g de carboidrato



      Alguns alimentos não possuem carboidratos, como por exemplo, as carnes, mas devemos lembrar que pouco mais da metade das proteínas se converte em carboidratos. Em situações especiais como em um churrasco, podemos fazer o seguinte: a cada três porções de carne você deverá contar 15g de carboidratos.

Quanto de carboidrato eu devo consumir por refeição?
·         Regra geral para adultos: nesta regra, partimos do princípio onde 1 unidade de insulina rápida ou ultra rápida cobre 15 gramas de carboidratos ingeridos, e assim posteriormente é feito o ajuste adequado a cada paciente. Então no exemplo anterior que no café da manhã a pessoa ingeriu 67 g de carboidrato ela deverá aplicar por volta de 4,5 unidades de insulina. Mas só lembrando que esse valor de ajuste deve ser prescrevido pelo seu médico.

Essa quantidade é individual e deverá ser adequada à sua necessidade calórica e seu controle glicêmico.

Quanto de insulina devo tomar quando estou em terapia de contagem de carboidratos?
Só quem toma insulina pode fazer a contagem de carboidratos?
Claro que não. É só ter diabetes para fazer a contagem de carboidratos. Você estipula quantidades fixas de carboidratos nas refeições, de acordo com as suas atividades e necessidades diárias, variando apenas os alimentos.

E para descobrir se está dando certo?
Para isso, é necessário monitoramento mais frequente, principalmente no início do tratamento, para que possamos ajustar a quantidade de carboidrato e a dose de insulina. O ideal é fazer uma glicemia capilar antes e outra duas horas após cada refeição.

Fonte: Hospital Sírio Libanês

quinta-feira, 20 de março de 2014

Conheça os principais testes para monitorar sua glicemia


                                       



Glicemia de jejum

É a medida da glicose no sangue depois de um período de jejum de 8 a 12 horas. O teste geralmente é feito pela manhã e é o melhor exame para avaliar a quantidade de glicose produzida pelo corpo (que durante o jejum é produzida principalmente pelo fígado).

Glicemia pós prandial

Representa a medida da glicose no sangue após uma refeição. O teste pode ser feito 2 horas após o café da manhã, almoço ou jantar. É o melhor exame para avaliar a quantidade de carboidrato ingerida, responsável pela elevação da glicemia após as refeições. As medidas de glicose pós prandiais são particularmente úteis para ajudar o médico a otimizar o tratamento medicamentoso.

Hemoglobina glicada

Tradicionalmente, corresponde a média da glicemia dos últimos 3 meses. O exame é feito no laboratório a qualquer hora do dia, sem necessidade de jejum. O teste recebe esse nome porque indica a quantidade de glicose ligada a hemoglobina dos glóbulos vermelhos (hemácias).
Ao contrário da glicemia de jejum e pós prandial, que informam os níveis de glicose no momento em que o teste é realizado, a hemoglobina glicada permite avaliar a glicemia durante um período mais prolongado. Por isso é o exame mais importante para avaliar o risco de complicações do diabetes.

Automonitorização

Para atingir um bom controle da glicemia, além de consultar seu médico regularmente, é necessário fazer a automonitorização dos níveis de glicemia em diferentes momentos do dia. Isto pode ser feito com um aparelho eletrônico chamado glicosímetro, que mede o valor da glicemia numa gota de sangue, retirada geralmente das pontas dos dedos da mão. A frequência desta monitorização depende do grau do controle glicêmico, do tratamento utilizado e de situações específicas, como por exemplo, na suspeita de hipoglicemia.

Enfª Gleyce Pires
Coren DF 262 757